Hoje, na liturgia da missa, Jesus disse aos que o ouviam, que devemos ser sal da terra e luz do mundo. Como sempre, após receber a Eucaristia, voltei ao meu lugar, ajoelhei-me, como sempre faço, fechei meus olhos e, silente, pedi que Jesus me iluminasse e me desse compreensão do que significa tais palavras. Levou algum tempo para que eu sentisse que Jesus estava comigo. Ouvi-O então, falar ao meu coração:
— A Palavra de hoje tocou a tua alma?
Respondi:
— Sim, Jesus, tocou-me de maneira especial, mas não sei se compreendi bem o significado de Tuas palavras.
— Tu sabes para o que serve a luz?
— Para iluminar, é óbvio! — respondi em um tom que, depois, percebi soar com certa arrogância.
— E a partir da Minha palavra, o que você compreendeu a respeito de ser luz?
— Que nós devemos iluminar o caminho das outras pessoas, para que não se percam e alcancem um dia a vida eterna.
Jesus me disse:
— Estás correto. Mas há mais.
— Nada mais me vem à cabeça, Jesus.
— Se entrares em um ambiente totalmente escuro, nada vais ver, nem seu tamanho, nem o que há lá dentro. Quando, porém, acenderes uma luz, verás todos os objetos lá presentes, correto?
— Sim, claro!
— Quando estava na escuridão, os objetos que havia dentro desse ambiente já estavam lá, correto?
— Sim, sim...
— A luz apenas os revelou, correto?
— Sim, sim...
— E cada objeto tem sua forma e função, compreendes?
— Sim, estou entendendo.
— Assim, quando tu entrastes no ambiente envolvido pela escuridão, e nada enxergando, os objetos não poderiam ser usados e, portanto, não exerciam suas funções.
— E...?
— Mas, quando a luz iluminou o ambiente, deixou claro tudo o que lá havia e tu poderias utilizá-los de acordo com suas funções. Sentar-se em uma poltrona, apreciar um quadro ou uma escultura que adornam esse ambiente, talvez ver a mesa posta para o teu jantar, encontrar um livro para que o leias, e tantas outras coisas.
— Sim, estou acompanhando o Teu raciocínio, Jesus, mas não estou entendendo aonde queres chegar.
— Agora, eu te pergunto: foi a luz que criou tudo o que tu estas vendo nesse ambiente?
— Não, claro que não! Tudo o que está lá já existia. A luz permitiu apenas que eu enxergasse e distinguisse cada objeto.
— Pois sejas luz para teus irmãos, não apenas iluminando seus caminhos, mas também ajudando a cada um para que revele a sua potencialidade. Isto é ser luz.
— Nossa, Jesus, isso é profundo!
— Isso é amor!
Em seguida, Jesus perguntou-me:
— O que é o sal? Para que serve?
— Ora, sal, como todo mundo sabe, é um tempero.
— Isso não é verdade, não está correto.
— Como não está correto?
— Você errou, porque não compreendes a função do sal. Um raciocínio incorreto leva a respostas incorretas.
— Então, Jesus, explique-me o que é o sal e para que serve.
— Tempero é algo que acrescenta um sabor aos alimentos, como alho, coentro e tantas outras ervas. Quando comes algo e o sentes insosso, geralmente acrescentas um pouco de sal, que, destacando o seu próprio sabor, torna-o mais saboroso.
— E assim mesmo.
— Da mesma forma, tu deves ser sal da terra para os teus irmãos, ajudando-os a colocar para fora, a praticar o amor e a bondade que eu coloquei em cada coração. Infelizmente, há muitos perversos que, tanto é o mal que praticam, levam as pessoas a colocarem para fora tudo o que é mal e que o Diabo deseja que o ser humano pratique para levar-lhe à perdição.
— Então, a responsabilidade do cristão é muito maior do que imaginei.
— Sim, a responsabilidade é imensa, quase impossível de ser vivida, mas com o amor tudo se torna possível.
Após estas palavras, houve o silêncio da parte de Jesus e eu, ajoelhado, ainda permaneci em oração, nem percebendo que a missa havia terminado e a igreja estava vazia.
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