Certo dia em que estava viajando a trabalho em outra cidade, entrei na igreja no domingo de manhã para participar na missa. Cheguei um pouco mais cedo para minhas orações pessoais e para me preparar para a Eucaristia. Após concluí-las, sentei-me e passei a apreciar os detalhes daquela igreja antiga. Eu estava sentado na direção de uma porta lateral e, em determinado momento, tive minha atenção chamada para um homem que estava parado embaixo do batente dessa porta lateral. Era um homem já maduro, sem camisa, calça suja, parecendo ser um morador de rua e estar embriagado ou drogado. De onde o homem estava, levantava os dois braços e direção ao céu, como fizesse uma oração. Aquela atitude dele me comoveu. Apesar de sua situação de vida tão indigna para um ser humano, ele não havia perdido o sentido da fé. Após alguns instantes, ele tomou coragem e entrou na Igreja, ajoelhando-se ao lado dos bancos, continuando a orar e, agora, a chorar. Fiquei ainda mais comovido com aquele homem. Porém, apareceu um homem de terno e gravata e, chegando ao lado desse homem, mandou que se retirasse. Em um impulso, levantei-me e dirigi-me ao segurança da Igreja.
— Ele não está fazendo nada de errado, apenas orando.
O segurança olhou para mim e disse-me:
— Mas ele não pode ficar aqui, é proibido, tem que sair agora.
Senti-me tão indignado com a atitude do segurança — e ainda mais por ter um segurança dentro da igreja —, que dei a mão para o homem humilhado, ajudando a levantar-se e lhe disse:
— Vamos embora! Aqui não é lugar para nós.
Enquanto eu saía da igreja junto com aquele homem, senti que Jesus estava ao lado dele, igualmente saindo da igreja. Ouvi-O ainda dizer:
— O que estão fazendo com a casa de Meu Pai? Até Eu estou sendo escorraçado?
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