No segundo domingo de agosto, fui à missa com meinha família para receber a bênção pelo Dia dos Pais. O padre frisou a importância do pai na família e na sociedade e, ao final, um grupo de jovens encenou uma homenagem a todos os pais.
Mas, antes dessa homenagem, após a recepção da Eucaristia, voltei ao meu lugar e ajoelhei-me para mais uma vez acolher Jesus em meu coração. Após alguns instantes de silêncio e oração, senti Jesus junto a mim.
— Estás feliz hoje, celebrando o dom da tua paternidade?
— Sim, meu Jesus, muito feliz. E também agradecido por ter filhos tão bons e responsáveis, enquanto vejo muitos outros pais se angustiando com os filhos que estão seguindo caminhos errados na vida.
— Sim, meu filho, é uma dor muito grande ver como a juventude está perdida e sem referências, sem opções de vida verdadeira. Muito pais, que não vivem o dom da paternidade, têm grande culpa, pois não deram a seus filhos o maior presente após a vida, que é a fé.
— Jesus, o que Teu sente quando observa tantas pessoas vivendo contrariamente ao amor, perdendo a vida eterna e indo para o inferno?
O Senhor suspirou fundo, dando-me a impressão de que estar com um nó em Sua garganta e respondendo-me em seguida:
— O que tu sentirias se um de teus filhos morresse?
Fechei meus olhos e um arrepio tomou conta de meu corpo, tão angustiante, que fiz uma negativa com a cabeça, tentando fugir daquela ideia.
— Nem precisas me responder o que sentiste! A dor do pai é ainda maior. Se tu perdesses um filho, a esperança de reencontrá-lo na vida eterna seria o teu único consolo. E, no entanto, Deus-Pai só perde realmente um de Seus filhos quando este vai para o inferno. No inferno não existe esperança! Somente angústia e total solidão.
— É até difícil pensar nisso! Que dor deve dar no coração do Pai quando um de Seus filhos vai para o inferno. E Ele deve esquecer-se daquele que deixou de ser filho.
— Engano teu, meu filho.
— Como “engano”? Não entendi!
Jesus, mais uma vez, pareceu ter algo engasgado em sua garganta e somente após alguns instantes conseguiu me falar.
— Lembras da parábola que contei aos meus discípulos sobe o Rico e o Lázaro, o miserável?
— Sim, conheço. É uma das tuas parábolas mais conhecidas.
— Pois então, nessa parábola está presente a verdadeira relação de Deus com Seus filhos.
— É verdade! O Pai acolheu no céu aquele que na terra foi desprezado e humilhado.
— Mas há um outro filho, nessa história.
— Outro filho? Não que eu me lembre. Outro filho há na história do filho pródigo. Há o irmão mais velho. Mas na parábola do Rico e de Lázaro somente Lázaro é filho.
— Por isso eu sempre digo que o pensamento humano está muito abaixo do pensamento divino.
— Continuo a não entender! Explique-me, por favor.
— Após a morte dos dois — do rico e de Lázaro —, o rico vai para o inferno e Lázaro vai para o céu ficar ao lado do Pai Abraão, que nesta parábola é a imagem de Deus-Pai.
— Sim, é isso mesmo que está na parábola. E o rico, que em vida negou em vida a migalha que caía de sua mesa farta, agora, no inferno, está sofrendo terrivelmente e pede uma “migalha” de água, apenas uma gota para diminuir seu sofrimento.
— Esta é a interpretação que todos fazem. Mas esquecem um aspecto fundamental.
— Qual aspecto?
— O amor de Deus-Pai.
— Não sei o Tu queres chegar, Jesus! Por favor, me esclareça!
— Observe que o rico, do inferno, grita em direção ao céu, dizendo: “Pai Abraão” e faz a sua súplica. Do céu, o Pai-Abraão responde-lhe, iniciando Sua fala com um “filho”. Isso não te diz nada?
— O que isso deveria me dizer, Jesus?
— Que Deus nuca deixa de ser Pai, e que um filho de Deus, mesmo no inferno, nuca deixa de ser filho.
— Eu nunca havia pensado nisso!
— E onde você se coloca nessa parábola?
— Eu?
— Sim, você!
— Bem... deixe-me pensar... Deus nunca deixa de ser Pai e o rico nunca deixa de ser filho... Eu também sou filho do Pai... e do rico?... eu... eu... serei seu irmão e ele será o meu...
— É isso mesmo, meu filho! Agora você compreende porque minha Mãe, em Fátima, pediu tanto para rezarem pelos pecadores, pois muitos vão para o inferno por não haver quem ore pela sua conversão. Se ao invés de tu olhares para os pecadores e violentos como inimigos, vai exultar de alegria quando ele é castigado. Porém, se orardes pela conversão do pecador, você terá ganho um irmão.
Saí da igreja, naquele dia, com uma necessidade imensa de orar pela conversão dos pecadores e a vontade de abraçar a todos como irmãos.
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