8.o ENCONTRO

— Perdoe-me, Senhor, pela minha pretensão, mas gostaria de compreender melhor o mistério da Trindade. Como pode um único Deus ser três Pessoas e ainda assim manter sua unidade?
— Conheces a lenda em que Santo Agostinho pede ao Senhor que lhe dê essa mesma graça de compreender o mistério da Santíssima Trindade?
— Não, Senhor, eu não conheço.
— Conta essa lenda criada pela imaginação humana, mas muito apropriada, que, após esse pedido, Agostinho estava passeando pela praia e viu um menino retirando água do mar e colocando-a em um pequeno buraco na areia. O menino repetiu essa ação diversas vezes, até que Agostinho, curioso, perguntou-lhe o que estava fazendo. O menino respondeu-lhe que estava colocando todo o oceano naquele buraquinho. Agostinho sorriu daquela ação infantil e disse ao menino que aquilo era impossível de ser realizado, pois o oceano era infinitamente maior que aquele buraco. Surpreendentemente, o menino diz a Agostinho que também era impossível a um ser humano compreender o mistério da Trindade Santa.
Sorri encabulado ante a história contada por Jesus e desculpei-me.
— Entendi, Senhor, o recado. Mais uma vez peço-te perdão pela minha pretensão ao tentar compreender tão grande mistério.
— Não te desculpes, meu filho. Meu Pai foi quem colocou no espírito humano essa ânsia em compreendê-Lo pela razão para, crescendo na fé, mais se aproximar d’Ele. Fé e razão são as asas que meu Pai concedeu à humanidade para elevar-se a fim encontrá-Lo. Assim, ao desejares compreender a tua fé, apenas cumpres o desejo que meu Pai colocou em teu coração.
Achei tão bonito o que Jesus acabara de me dizer que fiquei sem palavras.
— Embora jamais possas compreender o mistério da Trindade — continuou Jesus —, digo-te apenas que pensas como homem e dentro dos limites de tua materialidade. Jamais encontrarás na matemática a compreensão para esse Mistério, pois 1 será sempre 1 e 3 será sempre 3. No entanto, se compreenderes que o 1 significa a própria pessoa, fechada em si mesmo, deduzirás que, ante toda a Criação, o Pai não ficou fechado em si, caso contrário seria um Deus solitário, que não teria a quem amar. Na natureza divina, portanto, há ainda o 2, que significa o outro, o diferente, o objeto do amor do Pai: este sou Eu, o Filho. A síntese — e não a soma —do 1 e do 2 é o 3, que é o próprio Amor que nos une e que é tão intenso e incomensurável, que extrapolou a nossa própria divindade e deu origem à Criação, deu origem a todo o universo e a ti também. Portanto, meu filho, tu és fruto do eterno amor divino.
Meu coração encheu-se de tanto amor com aquelas palavras, que precisei sair dali e transformar esse amor em ações concretas em favor dos meus irmãos mais carentes. Não sei se compreendi o mistério da Trindade, mas experimentei em mim a força criadora do amor.

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