6.o ENCONTRO

Os meus encontros com Jesus provocaram-me sensações antagônicas: ao mesmo tempo que me proporcionavam grande alegria e paz, faziam sentir ainda muito distante do que Ele esperava de mim. Compreendia agora porque os grandes santos, em seus escritos, afirmam sempre serem grandes pecadores: se nos comparamos a Jesus, estamos sempre necessitando de transformações em nossas vidas para cumprir em nós a vontade do Pai. Expressei isso em um de nossos encontros.
— Senhor, sei que pela tua encarnação, há dois mil anos atrás, fizeste-te igual a nós, seres humanos, menos no que se refere ao pecado. Mesmo sendo plenamente homem, jamais pecastes. Mas éreis também plenamente Deus! Eu sou apenas homem, Jesus! Como posso não pecar? Como posso ser semelhante a ti?
Jesus olhou-me fundo nos olhos, penetrando no mais íntimo de minha alma, e perguntou-me?
— Acreditas que meu Pai é justo?
— É claro que sim!
As perguntas de Jesus sempre me deixavam surpreso, confuso e pensativo.
— Enquanto vivi como homem, esvaziei-me de minha divindade. Não seria justo para com a humanidade pedir que fosse semelhante a mim se o que eu fizesse, o fizesse por ser Deus. A humanidade estaria em eterna e infinita desvantagem e isso seria injusto. Mas Deus não é injusto. Compreenda que eu jamais pequei não porque sou Deus, mas porque fui plenamente humano.
Mais uma vez fiquei desconcertado com suas palavras.
— Senhor, se não pecastes porque éreis humano, por que então pecamos?
Jesus demorou-se um pouco a responder-me, como a me preparar para sua resposta.
— Vocês pecam porque são desumanos!
Essa reposta foi como um soco em meu estômago, cujo choque sinto até hoje!

Nenhum comentário: