11.o ENCONTRO

As celebrações da Semana Santa, particularmente a Paixão e Morte de Jesus fizeram-me pensar em muitas coisas e perceber detalhes que nunca antes o fizera. As atitudes de Pedro e de Judas Iscariotis em relação a Jesus, na noite em que ele foi entregue, começaram a criar dúvidas em minha mente e em meu coração. No encontro seguinte com Jesus, expressei minhas dúvidas e angústias.
­— Senhor, desculpe-me por minha ignorância, mas há algo que estou sentindo em relação a Pedro que está-me incomodando.
— Quer partilhar comigo essa sua angústia? — perguntou-me Jesus.
— Sim, Senhor! É que não consigo perceber diferença muito grande entre a atitude de Iscariotis e de Pedro. Para mim, ambos o traíram: Judas entregando-Te e Pedro, negando-Te. No entanto, Judas é amaldiçoado e Pedro, abençoado, a ponto de ser considerado, ao lado de Paulo, as duas colunas da Tua Igreja. Se os dois Te traíram – e as Sagradas Escrituras mostram que ambos se arrependeram profundamente, por que os dois não foram amaldiçoados ou abençoados da mesma forma?
Cada vez que Jesus me olhava daquela maneira benevolente, eu me sentia a menor e a mais ignorante das criaturas.
— Há tanto tempo conversamos e ainda não aprendeste, meu filho, que eu sou misericordioso?! De fato, ambos me traíram, como tu disseste: um pela entrega e outro pela negação. Mas não foram estas atitudes deles que prevaleceram, e sim o que se deu depois. Lembraste bem que tanto Pedro quanto Judas se arrependeram, de coração. O que Iscariotis fez ao arrepender-se?
— Ele foi procurar as autoridades para devolver-lhes o dinheiro e soltar a Ti – respondi.
Jesus continuou a indagar-me, levando-me, assim, a refletir:
— E o que aconteceu em seguida?
— Não conseguindo libertar-te, jogou as moedas no chão, foi para um campo e enforcou-se.
— Exatamente. E Pedro, como agiu?
Respondi ao Senhor:
— Pedro chorou amargamente ao lembrar-se de Tuas palavras, quando o galo cantou. Ficou escondido por medo dos judeus, mas permaneceu em Jerusalém, após Tua ressurreição, aguardando o cumprimento de Tua promessa de enviar o Espírito Santo sobre Teus discípulos, tornando-se um dos grandes difusores de Tua doutrina no mundo romano.
— Resumiste com perfeição, meu filho. Comparando a atitude de Pedro e de Iscariotis, chegas a alguma conclusão?
Permaneci pensativo por um longo tempo, querendo encontrar a resposta correta ao questionamento de Jesus. Finalmente, conclui:
— Pedro, arrependido, parece ter confiado no Teu perdão, na Tua misericórdia; Judas, porém, também arrependido, tirou a própria vida, pois não acolheu a Tua misericórdia.
Jesus abriu um largo sorriso para mim.
— Que alegria sentir que você, meu filho, está-se deixando guiar pelo Espírito. Respondeste bem. Se Iscariotis acreditasse na Misericórdia divina, talvez se tivesse tornado um dos grandes pregadores da Boa Nova; no entanto, ele voltou as costas ao Amor de Deus e destruiu o maior dom dado por Deus ao ser humano e do qual só Ele pode dispor: a vida. Foi esta atitude que o condenou, e não a sua traição. Já Pedro acolheu todo a Misericórdia que vem dos céus e deixou-se ser instrumento para a difusão do Reino de Deus no mundo. Ah, como o mundo seria diferente se as pessoas aprendessem algo dessa história e se deixassem transformar por Deus!

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