20º ENCONTRO

 

    Eu amo tanto Nossa Senhora, a Mãe do nosso Redentor, que dói-me o coração quando ouço as pessoas buscando desmerecer as virtudes que Ela teve em vida. Reconheço que, por mais que eu procure alicerçar a minha fé, ainda pouco sei. Mas o pouco que sei, procuro viver. 

Sempre acreditei que a imagem da mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça fosse Maria. Porém outro dia, durante a homilia, o padre disse que não era Maria e sim a Igreja. Confesso que aquilo que ouvi me desagradou profundamente e comecei a julgar o sacerdote como herege e sem fé, contestando, inclusive, sua autoridade eclesial; afinal, com suas palavras, ele havia ferido um ponto indiscutível da minha fé. 

Por esta razão, quando tive mais um encontro com Jesus, expressei toda a minha revolta e indignação para com aquele padre. 

Jesus, como sempre o fazia, foi muito paciente e compassivo para comigo. 

— Não há porque se angustiar. Os mistérios de Deus são assim. Incompreensíveis ao ser humano em sua totalidade, mas tu deves sempre procurar compreendê-lo até onde te for possível. 

— Mas isso que o padre falou, sobre Maria e a Igreja no Livro do Apocalipse? É verdade? 

— O Meu vigário na terra, João Paulo II, a quem cumulei de graças e sabedoria, inspirado por Meu Espírito escreveu que a fé e a razão são as duas asas através da qual o espírito humano se eleva para contemplar a Deus. 

— Isso é lindo Jesus! Onde encontro esta citação? 

— É o início de uma Carta Encíclica denominada Fides et Ratio ou, em tua língua natal, Fé e Razão, que ele deu ao mundo no dia da Festa da Exaltação da Minha Cruz no ano de 1998.  

— Mas podemos voltar à questão que me está angustiando, por favor? 

— Claro, Meu filho! Quando o meu discípulo amado, João, fez a redação do Livro do Apocalipse, inspirado pelo Espírito Santo e obrigado a usar uma linguagem figurada devido à perseguição do Império Romano aos meus primeiros discípulos, de forma que os opressores não o compreendessem caso a confiscassem o texto, ele não teve a intenção de falar de Minha Mãe, a qual conheceu tão profundamente a partir do momento em que ele a acolheu consigo após a minha morte, ressurreição e ascensão aos céus. 

“De fato, aquela mulher é a imagem figurada da Igreja, porém, desde o início, esta mesma Igreja reconheceu naquela mulher a imagem da Minha Mãe querida. E estava e está até hoje certa, pois nessa imagem está um mistério. E como mistério de Deus, só pode ser parcialmente compreendido pela razão humana. O demais, é vivido na fé. Ou seja, tal mistério, para ser acolhido pelo espírito humano, necessita das duas asas. Sem uma ou outra, esse espírito não conseguirá alçar-se até Deus. 

“Até onde é possível a ti compreender, Eu te digo: aquela que gestou a Mim em seu ventre e entregou-Me ao mundo foi Maria; agora, quem me gesta e me apresenta ao mundo é a Igreja. Aquela que, na Boda em Caná, intercedeu junto a Mim em favor dos noivos foi Minha Mãe; agora, quem intercede pelos seus filhos necessitados é a Igreja. Aquela que, na mesma Boda em Caná, disse aos servos que fizessem o que eu lhes dissesse e, com a obediência deles, a água foi transformada em vinho, foi Maria; hoje, quem exorta ao povo ser obediente a mim para que o mundo seja transformado em um mundo melhor é a Igreja. Aquela que permaneceu no Cenáculo em oração com os Meus apóstolos, exortando-os a aguardar vigilantes o cumprimento da Minha promessa de enviar o outro Paráclito foi Maria, que conhecera a força do Espírito Santo na Minha concepção; hoje, quem nos exorta a confiara nas Minhas promessas e invocar o Espírito Santo é a Igreja. Assim, aquela mulher do Livro do Apocalipse é a Igreja, mas também é Maria, que é a prefiguração da Igreja por tudo aquilo que viveu. 

Saí daquele nosso encontro com o coração aliviado, amando ainda mais a Jesus, à Sua Mãe e à minha igreja católica. 

 

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