A cada dia que passa, assistindo aos noticiários pela tevê ou vendo programas e documentários, vou me sentindo mais desencantado com a humanidade que parece estar cada vez mais distante de Deus hoje do que a dois mil anos atrás, quando o Filho de Deus encarnou para nos redimir. Notícias, programas, filmes, músicas e até mesmo alguns programas ditos cristãos deixam-me angustiado. Quanta violência, quanto desamor, quanto egoísmo, quanta corrupção, quanta falta de fé! Sinto-me enredado por heresias, que diminuem a importância de Cristo na história da salvação, da nossa salvação operada por ele.
Em um de nossos encontros, Ele falou-me sobre a perda do sentido da sacralidade do outro, a começar pelo Outro absoluto, que é o próprio Deus.
Com mais de dois mil anos de história, o cristianismo continua escravizado a heresias, a incompreensões de quem de fato é Jesus.
Devido a essa angústia crescente, este foi o tema da minha próxima conversa com Jesus.
— O ser humano tem muita dificuldade para compreender a imensidão do amor de Deus, que extrapola a própria Trindade, jorrando esse amor em direção à humanidade. Eu sou a imagem concreta desse infinito amor de Deus.
“Porém, quanto mais o ser humano voltar-se para sim, mais terá dificuldade de Me vivenciar, Eu que sou a imagem do amor e da misericórdia divina. Mesmo estudando os Evangelhos, eu ouço tantas heresias a Meu respeito, porque não se compreende a Minha encarnação como fruto de amor. “Como é que Deus que é eterno pode vir habitar entre os homens?” “Como é que Deus pode viver como criatura, passando inclusive pelo dor e pela morte se Ele é Deus?” Todas estas e outra dúvidas a Meu respeito são devidas a não penetrarem no mistério do amor. E este mistério deve ser buscado pela razão humana, mas só poderá ser completado pela fé.
“Doeu-me muito quando ouvi um sacerdote idoso, teólogo conceituado, com diversos livros publicados e estudados nos seminários de formação daqueles que pelo Sacramento da Ordem estarão associados a mi como Cabeça da Igreja, dizer que não acredita em Minha ressurreição, pois nunca e sua vida encontrara provas disso. Como um sacerdote, teólogo e exegeta da Sagrada Escritura pode afirmar isso? Qual o sentido de sua vida, se ao final dela, não fortaleceu a sua fé? Que influência nefasta ele pode ser para os seminaristas e para o povo de Deus que possa ler seus escritos?
“O seu erro foi buscar as provas da Minha ressurreição em algo material. Por isso não as encontrou nunca e jamais a encontrará. Porque a prova da minha ressurreição é encontrada na existência daqueles que fizeram a experiência concreta Comigo, quando ressuscitei. Mues discípulos estavam com medo, chorosos, desesperançados, já que o seu Mestre havia morrido. No entanto, cada um que Me viu reviveu em sua fé, ganhou novo ânimo. Os que voltavam para suas lidas diárias, ao Me verem ressuscitado, voltaram a Jerusalém para o testemunharem que Eu ressuscitara. E ao longo dos séculos, muitos tiveram suas vidas mudadas e abraçaram o projeto divino do Reino, renunciando a tudo que os afastava desse projeto, testemunhando sua fé a outras pessoas que ainda não Me conhecem. A mudança do modo de vida dos meus discípulos é a única e maior prova da Minha ressurreição. E Eu proclamei essa fé na Minha ressurreição como bem-aventurança: “Bem-aventurados os que creram sem terem visto”, bem-aventurança esta que ecoa por todos os séculos.
“Meu querido filho João Marcos, o primeiro que recolheu as experiências dos que ainda Me haviam conhecido, escrevendo o Evangelho que leva seu nome, o fez porque, cerca de trinta anos após Minha paixão, morte, ressurreição e ascensão, a nova geração, que não me conhecera, tinha dúvida sobre Eu ser ou não Filho de Deus. O Evangelho compilado por Marcos foi escrito, e isto percebe-se logo nas primeiras palavras, para mostrar aos novos que de fato Eu sou o Filho de Deus, e ele apresenta quatro testemunhas incontestáveis disso: Meu Pai, que no momento de Meu batismo por João, manifestou-se dizendo “Eis o meu Filho muito amado”; em seguida, foram os demônios que testemunharam quem Eu sou, pois quando me aproximei de um homem possuído por uma legião de demônios, eles disseram: “Que queres de nós, Jesus de Nazaré; sabemos que és; és o Santo de Deus”; após muitos ensinamentos, um dia eu perguntei aos meus apóstolos quem eles achavam que Eu era, pois o povo acreditava que eu era apenas um profeta; e Pedro, em nome de seus companheiros, afirmou que Eu era o Filho de Deus, tornando-se o primeiro ser humano a proclamar essa verdade; e, finalmente, quando expirei na cruz, um soldado romano, que não era meu discípulo, mas observando todos os sinais daquela triste sexta-feira, proclamou: “Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus”. Quantos leem, estudam, mas o fazem apenas com a mente e não com a mente e a fé. Como querem alçar voo até o céu, se só têm uma asa?
— Jesus — disse eu, admirado e, posso dizer, escandalizado com o que eu ouvira. —, então os demônios têm certeza de quem Tu és?
— Sim, eles têm certeza de quem Eu sou. No entanto, não são Meus discípulos, por isso estão no inferno. Não basta me conhecer ou ter ouvido falar de mim. Quem Me conhece tem que se tornar Meu discípulo, caso contrário não Me ajudará a transformar a face da terra. Eu já tenho muitos inimigos levando Meus irmãos para a perdição. Preciso de amigos!
— Jesus, eu quero ser Teu amigo! Eu quero fazer a diferença neste mundo, sendo Teu discípulo!
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